Mobilidade urbana: o uso do automóvel na berlinda |
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| O carro,
máquina criada para dar agilidade e rapidez aos deslocamentos
humanos, começa a ter suas funções questionadas
a partir da mudança de alguns paradigmas sociais. “Hoje,
existe um conflito no uso do espaço, que é um recurso
escasso”, diz Luciano Specht, doutor em engenharia civil e professor
do curso de engenharia da Unijuí. E, para sanar esse conflito,
é preciso otimizar essa utilização por meio de
políticas sustentáveis. Para Luciano, o espaço
público está sendo apropriado atualmente de forma desigual,
pois as políticas são voltadas para quem usa o automóvel
e não para a população como um todo. “É
uma situação nova e precisaremos rever vários de
nossos conceitos”, fala o pesquisador. As propostas que surgem
nesse sentido apontam para um uso regulado do carro e da rua. Isso fere
o princípio da liberdade de ir e vir de todo cidadão?
O professor acredita que não. “Quando eu entro no meu carro
e dirijo pelas ruas, estou ajudando a gerar congestionamento”,
explica. “Esse é o conceito econômico de externalidade,
ou seja, o meu uso de um determinado bem está causando custo
para outro”, esclarece. Por isso, é preciso prestar contas
do uso que se faz da rua. Para o pesquisador, “sempre que se fala
em trânsito se tem em mente o carro, agora se busca um novo paradigma,
o ser humano, o pedestre, um sistema de trânsito voltado para
o cidadão, inclusivo, dando acesso facilitado aos bens públicos”. |